A expansão do mercado de seguros no Brasil

Por Ricardo Barretto | SEGS

Nos últimos 15 anos o setor de seguros cresceu mais do que a economia nacional, mas ainda há muito a ser feito. Apesar de 2012 não ter sido bom para a economia, com expectativa de crescimento do PIB sobre o ano anterior em torno de 1% e a inflação transpondo 5%, para o mercado de seguros, não se pode considerar que o setor tenha obtido um resultado negativo.
Estudos da CNSeg apontam estimativa de crescimento da arrecadação do total  de seguros privados em torno de 19% (real de 13%), com a participação no PIB  beirando os 4%. Isto sem considerar os planos de saúde que não são administrados por seguradoras. Por ramos, os seguros de Automóveis (+14%), Patrimonial (+11%), Transportes (+10%), Riscos Financeiros (+10%), Responsabilidades (+17%) permanecem com crescimento das arrecadações na casas dos dois dígitos. Os destaques foram os ramos Habitacional (+31%), Rural (+46%) e como sempre o VGBL (+30%). O faturamento dos seguros de pessoas sem o VGBL deve ser de 13% em 2012.
O mercado de seguros deve arrecadar cerca de R$ 289,4 bilhões em 2013. O segmento de riscos de engenharia será o de maior crescimento, com 66% de alta esperada no ano e arrecadação de R$ 1,4 bilhão, isso devido aos investimentos em infraestrutura e aos projetos ligados a eventos esportivos. Até 2015, a estimativa para o setor de riscos de engenharia é de um avanço  de 54%, na comparação com 2012.
O seguro rural também deve apresentar aumento expressivo, de 23% em relação ao ano passado, com uma arrecadação referente a  R$ 2,2 bilhões,  em razão da expectativa de que o governo aumente os subsídios para o seguro rural, o que será um catalisador e dará incentivo muito grande para elevar o segmento. O mercado de seguros brasileiro, sem contar o ramo saúde, faturou R$ 127,214 bilhões em 12 meses fechados em novembro do ano passado. A cifra é 22,3% maior que a contabilizada em igual período imediatamente anterior. Como se vê, os números são animadores. Com as políticas certas, em cinco anos os produtos de seguros oferecidos serão mais sofisticados do que os atuais.
Os riscos que hoje não encontram qualquer tipo de proteção serão segurados através de apólices colocadas a disposição de todos.  O mercado de seguros é tradicionalmente conservador e o brasileiro não tem o hábito de adquirir seguros. Essas premissas têm que mudar. A chave é o estímulo para as operações de seguro garantia que apresentou em 2012, um retrocesso inesperado. A modalidade apresentou resultados desanimadores, marcados por contratos de obras paradas e retração na arrecadação dos prêmios.
Se por um lado a isenção do IOF tornou a modalidade mais competitiva frente à fiança bancária, por outro as seguradoras desencadearam um movimento predatório entre elas. Isso por falta de políticas corretas. Enquanto houver pessoas despreparadas no mercado que se vendem por muito e não têm o que entregar, a prosperidade e melhorias esperadas por todos (seguradores, segurados e corretores) serão pequenas.
A nossa proposta é de um novo tempo, de muito trabalho e austeridade, em que não deve cometer excessos. As políticas que serão colocadas em prática visam identificar e procurar soluções para as causas que aumentam a sinistralidade, levando a um aumento no preço do seguro. Um dos objetivos visados para melhorar o mercado é o seguro de pessoas. Entendemos que nele reside um dos maiores potenciais de crescimento do mercado nacional, pois no Brasil, por falta de incentivo correto, ainda não conseguimos deslanchar nos microsseguros e tampouco aproveitar o momento de mobilidade social que o país vive. Também não conseguimos incentivar a Previdência Complementar Aberta. Outros ramos visados são os seguros de danos e responsabilidades, pois apresentam boas perspectivas, motivados pela Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Na área de riscos pessoais pretendemos colocar a área de estudos atuários para atualizar seus conhecimentos, visando a “quarta idade”, com reformulação nos conceitos, taxas e coberturas, já que estamos tendo um aumento significativo no prolongamento da vida das pessoas. Outro ponto de interesse e políticas de incentivo serão os Seguros Ambientais, que certamente ocuparão lugar de destaque em curto espaço de tempo e em razão também da evolução da sociedade. Por certo a renovação da legislação se faz mais do que necessária, carecendo o país de um marco regulatório eficaz para os seguros.
Assim o Brasil será colocado no mesmo nível de países desenvolvidos em matéria de legislação securitária e que já possuem os respectivos Códigos de Seguros apartados dos Códigos Civis ou Comerciais (Espanha, França, Alemanha, Portugal e Bélgica são alguns exemplos). O Estado deve regular firmemente a atividade securitária em prol dos consumidores de seguros e da liquidez do sistema. Num cenário de juros baixos, as pessoas vão ter de reaprender a formar poupança de curto, médio e longos prazos. Além disso, elas terão de começar a entender, nesse novo quadro, um pouco melhor o papel do seguro e como se utilizar dele.
*Ricardo Barretto é Gerente Comercial da Federal Seguros na Matriz (RJ) e é responsável pelas apólices geradas através de licitações. (Assessoria de imprensa Federal Seguros)